Humano ou digital? O que o relatório da ATD revela sobre o futuro do design de aprendizagem

A ATD pesquisou 916 pessoas sobre modalidades de treinamento. Os dados revelam o que realmente funciona em L&D, e o que ainda precisa mudar.

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Índice

Uma pesquisa da Association for Talent Development (ATD) ouviu 445 profissionais de T&D e 471 aprendizes sobre modalidades de aprendizagem corporativa. O resultado é claro: não existe formato único ideal. Portanto, a grande habilidade do profissional de L&D hoje é saber combinar o humano e o digital, com intenção, dados e foco no aprendiz.

O que os dados dizem sobre como as pessoas aprendem no trabalho

A Association for Talent Development (ATD) publicou o relatório Human-Tech Interface: Finding the Right Blend in Learning Design, com dados coletados em agosto e setembro de 2025. A Bravend recebeu o material diretamente da ATD. Nesse sentido, compartilhamos aqui os principais insights, com os créditos devidos à fonte.

A pesquisa ouviu dois grupos distintos. De um lado, 445 profissionais de desenvolvimento de talentos. Do outro, 471 trabalhadores em atividade. Portanto, os dados refletem tanto quem projeta o treinamento quanto quem o recebe.

Como as organizações entregam treinamento hoje

A maioria das organizações ainda aposta no aprendizado com facilitador humano. Segundo o relatório da ATD, 87% das empresas utilizam essa modalidade, seja em sala presencial, virtual ao vivo ou formato híbrido.

Por outro lado, 44% adotam o blended learning (ensino híbrido) e 36% usam aprendizagem digital assíncrona. Além disso, a maior parte das organizações combina em média duas modalidades diferentes. Isso indica, portanto, que o setor já reconhece que nenhuma abordagem sozinha dá conta de tudo.

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O que os aprendizes preferem, e por quê isso importa

Os dados da ATD revelam uma preferência clara. Cerca de 49% dos aprendizes dizem preferir muito o treinamento presencial com instrutor ao vivo. Além disso, 56% consideram esse formato o mais eficaz para seu aprendizado.

Por outro lado, apenas 13% acreditam que o e-learning gravado é o método mais eficaz. Isso não significa que o formato digital seja ruim, significa que ele precisa ser bem projetado, com personalização, por exemplo. Afinal, 83% dos aprendizes gostam de poder fazer o treinamento a qualquer hora e de qualquer lugar, aponta o estudo!

Nesse sentido, a tensão não é entre humano e digital. É entre design intencional e design negligente. Abaixo, listamos 6 insights presentes no relatório Human-Tech Interface: Finding the Right Blend in Learning Design.

1) Escolher a modalidade certa faz toda a diferença

Para 70% dos profissionais de T&D, o tema do treinamento é o fator mais importante na escolha da modalidade. Em seguida, aparecem a necessidade de atividades práticas (67%) e a escalabilidade do programa (60%).

Portanto, o conteúdo dita o formato, e não o contrário. O relatório da ATD também aponta tendências por tipo de treinamento:

  • Desenvolvimento de lideranças e onboarding: mais indicados para aprendizagem com facilitador humano;
  • Compliance e TI: mais adequados para e-learning assíncrono;
  • Vendas e atendimento ao cliente: melhores resultados com blended learning.

Além disso, o aprendizado com facilitador humano é o mais rápido de desenvolver. O blended learning, por sua vez, é o mais demorado, justamente porque combina os dois formatos.

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2) As métricas ainda ficam na superfície

A maioria das organizações mede taxas de conclusão e número de treinados. Esses dados são um ponto de partida, mas não mostram o que realmente importa. Afinal, completar um curso não significa mudar um comportamento.

Segundo o relatório da ATD, apenas 60% dos profissionais de T&D consideram extremamente importante coletar dados sobre objetivos de aprendizagem em treinamentos com facilitador humano. Esse percentual cai para 48% no caso do e-learning assíncrono.

Portanto, há uma lacuna significativa entre o que se mede e o que se precisa medir. Como aponta Tanya Boyd, PhD, especialista citada no relatório, a próxima geração de métricas precisa capturar mudanças de autoconsciência e comportamento, e não apenas taxas de conclusão.

3) A modalidade afeta segurança psicológica e motivação

A forma como o treinamento é entregue influencia diretamente como o aprendiz se sente. Sendo assim, não se trata apenas de preferência, trata-se de condição para aprender.

Segurança psicológica:

  • 58% dos profissionais de T&D dizem que a modalidade influencia a segurança psicológica do aprendiz;
  • 57% dos próprios aprendizes confirmam essa percepção;
  • 51% apontam o treinamento presencial com instrutor ao vivo como o formato que gera mais segurança.

Motivação:

  • 68% dos profissionais de T&D afirmam que a modalidade influencia a motivação para aprender;
  • 62% dos aprendizes concordam com essa afirmação;
  • 58% dos aprendizes dizem que o treinamento presencial com instrutor é o mais motivador.

Por outro lado, o e-learning assíncrono é o formato com menor impacto motivacional, o que não impede sua utilização, mas exige design mais cuidadoso.

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4) Personalização ainda é promessa, não prática

Quase dois terços dos aprendizes consideram muito importante que o conteúdo seja personalizado para suas necessidades. Além disso, 59% querem poder escolher as atividades de aprendizagem. E 58% querem controlar o ritmo do próprio aprendizado.

No entanto, a personalização ainda acontece muito mais no treinamento humano do que no digital. Enquanto 60% das organizações personalizam muito os programas com facilitador humano, apenas 32% fazem o mesmo com soluções digitais assíncronas.

Portanto, há uma oportunidade clara para que a tecnologia, especialmente a IA, preencha essa lacuna. Nesse sentido, o relatório da ATD aponta que a personalização não é apenas uma funcionalidade de design. É, acima de tudo, uma demonstração de respeito pela individualidade de cada aprendiz.

5) Cada modalidade tem seus desafios reais

Nenhum formato é perfeito. O relatório da ATD lista os principais pontos de atenção para cada modalidade:

Treinamento com facilitador humano:

  • Conflitos de agenda para participação (46% dos profissionais estão muito preocupados);
  • Atualização dos materiais do curso (42%);
  • Participação desigual entre os aprendizes (36%).

E-learning assíncrono:

  • Engajamento passivo durante o treinamento (37%);
  • Letramento digital dos aprendizes (25%);
  • Acesso à tecnologia necessária (25%).

Blended learning:

  • Aprendizes que não completam a parte digital (38%);
  • Aprendizes que não participam da parte presencial (35%);
  • Conflitos de agenda (34%).

Portanto, escolher uma modalidade não é apenas uma decisão pedagógica. É também uma decisão operacional, e precisa considerar o contexto real da organização.

6) A IA já está presente, mas ainda como complemento

Dois terços das organizações já utilizam ferramentas de IA voltadas ao aprendiz. As aplicações mais comuns são aprendizagem personalizada ou adaptativa (37%), chatbots com IA (34%) e gamificação (29%).

Além disso, 82% dos profissionais de T&D concordam que as ferramentas de IA são utilizadas para complementar, e não substituir, o aprendizado com facilitador humano. Esse dado é, portanto, um sinal importante: a IA avança, mas o fator humano permanece central.

Como sintetiza Boyd no relatório: a IA pode personalizar conteúdo, mas apenas humanos podem personalizar a conexão.

O que fazer com tudo isso

O relatório da ATD sugere três ações práticas para profissionais de T&D:

1. Equilibre as modalidades com intencionalidade: Avalie cada treinamento individualmente. Considere o tema, o orçamento, o tempo disponível e, sobretudo, as necessidades reais dos aprendizes.

2. Invista em personalização além do treinamento presencial: Se você já personaliza programas com facilitador humano, ótimo. Agora é hora de levar essa lógica também para as soluções digitais e blended.

3. Explore ferramentas de IA com propósito: Chatbots, aprendizagem adaptativa e coaching virtual podem ampliar o alcance do treinamento. Portanto, pilote essas ferramentas em alguns cursos e observe o impacto no engajamento.

O ponto central que o relatório deixa claro

O futuro da aprendizagem corporativa não está na escolha entre humano e digital. Está, portanto, na combinação inteligente dos dois, com design cuidadoso, dados confiáveis e foco genuíno no aprendiz.

Como conclui Boyd no relatório da ATD: quando o aprendizado humano e o digital são projetados em conjunto, é possível alcançar tanto os corações quanto os hábitos dos aprendizes.

Fonte: relatório Human-Tech Interface: Finding the Right Blend in Learning Design, publicado pela Association for Talent Development (ATD) em janeiro de 2026, com patrocínio da Insights. Pesquisa realizada em agosto e setembro de 2025 com 445 profissionais de T&D e 471 trabalhadores em atividade. Material recebido pela Bravend diretamente da ATD. Conteúdo adaptado pela equipe da Bravend para o contexto do público brasileiro de L&D.

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