Por Fala T&D, direto da ATD 2025 | Washington, EUA
Em um cenário que mistura altos e baixos, a indústria de treinamento corporativo passa por transformações que refletem um novo momento na aprendizagem organizacional.
Segundo o relatório “Estado da Indústria 2025“, apresentado pela ATD (Association for Talent Development) no evento ATD25, a média de horas formais de aprendizagem por funcionário caiu de 35 horas em 2020 para 13,7 horas em 2024.
Portanto, um recuo significativo que, à primeira vista, pode soar como uma má notícia. Mas, olhando com mais atenção, revela nuances importantes sobre como as organizações estão reequilibrando suas estratégias de desenvolvimento.
O fim do “boom pandêmico” e a ascensão do aprendizado informal
Rocki Basel, diretora de pesquisa da ATD, contextualiza essa queda: “Em 2020 e 2021, estávamos no meio de uma pandemia e as pessoas estavam fazendo todo tipo de treinamento. Depois, saímos da pandemia e isso mudou”, disse Basel à ATD.
Ela destaca que o treinamento no local de trabalho — que inclui coaching e mentoria — continuou a crescer nos últimos anos, embora não esteja refletido nas horas formais contabilizadas. Basel também alerta que as horas de aprendizagem formal provavelmente se estabilizarão e dificilmente cairão abaixo de 10 horas por ano.
Essa tendência global indica que o aprendizado está migrando para formatos mais fluidos, integrados às rotinas, e menos centrados em treinamentos estruturados tradicionais. Basel reforça à ATD a importância de olhar além do volume de horas e focar em indicadores como satisfação, retenção e ganhos de produtividade para medir o impacto do desenvolvimento.
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Mais investimento, mas com foco estratégico em aprendizagem corporativa
Enquanto as horas formais caem, o investimento financeiro em aprendizagem cresce. A porcentagem da receita destinada a T&D subiu de 2% em 2020 para 2,9% em 2024, segundo dados da ATD. Além disso, o custo por hora de aprendizagem saltou de US$ 123 para US$ 165 no último ano. Isso indica que as empresas estão buscando qualidade e impacto em vez de quantidade, investindo em conteúdos e formatos mais sofisticados — como treinamentos em inteligência artificial, que lideram o crescimento em 2024, com 62% das organizações ampliando sua oferta nesse tema.
Contexto brasileiro: desafios e oportunidades na aprendizagem corporativa
No Brasil, a transformação do setor de T&D acompanha o ritmo global, mas com desafios específicos. Pesquisa da Capterra de 2023 aponta que 68% das empresas brasileiras pretendem aumentar seus investimentos em capacitação digital. Porém apenas 45% avaliam que suas estratégias de aprendizagem corporativa estão preparadas para as demandas do futuro do trabalho.
Além disso, segundo dados do IBGE e do Ministério da Economia, a taxa de rotatividade no mercado de trabalho brasileiro é alta, o que torna a retenção de talentos um desafio crítico. Nesse cenário, o foco em aprendizagem que gera engajamento e desenvolvimento contínuo é essencial para as organizações que querem se destacar.
Reflexão final: como medir o real impacto da aprendizagem?
O desafio das equipes de T&D não é apenas ofertar mais horas ou conteúdos, mas demonstrar o valor do aprendizado para o negócio. Rocki Basel explicou à ATD que a medição do impacto deve ir além do “checklist” de presença e abarcar resultados tangíveis. Engajamento, satisfação, retenção de talentos e produtividade são métricas-chave para justificar o investimento e ajustar estratégias.
Para líderes e profissionais de T&D no Brasil, a provocação que fica é sobre como você está medindo e comunicando o impacto do desenvolvimento na sua organização? É hora de sair da zona de conforto das métricas tradicionais e adotar indicadores que revelem a real transformação de pessoas e negócios.
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