O congresso inteiro falou de comunidade, fomos medir por quê.

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Os desafios de T&D no CBTD 2026 mostraram que comunidade não foi apenas o tema do congresso. Na prática, ela apareceu como resposta para questões concretas enfrentadas pelas empresas: formar gestores que sustentem o aprendizado, gerar engajamento, mensurar impacto e comprovar ROI.

Em junho, o mercado brasileiro de T&D se reuniu no Pro Magno para a 41ª edição do Congresso Brasileiro de Treinamento e Desenvolvimento. Ao todo, o evento recebeu mais de 10 mil profissionais, contou com 18 palcos simultâneos, apresentou mais de 220 palestras e reuniu mais de 75 expositores na Expo. Nesse contexto, o tema escolhido para a edição foi “Comunidades: conectar, aprender e transformar”.

Essa foi a quinta participação da Bravend no congresso. No entanto, foi a primeira em que não fomos apenas para aparecer.

Os desafios de T&D no CBTD 2026

A grade de 2026 organizou-se em torno de quatro pressões que ninguém no setor consegue mais adiar: a atualização da NR-1 e a entrada dos riscos psicossociais no campo regulatório, a saúde mental corporativa, a inteligência artificial e a discussão sobre organizações orientadas por competências, diversidade e futuro do trabalho.

Além disso, a curadoria ficou sob responsabilidade de uma Comissão Científica independente. Assim, o evento reuniu mais de 60 atividades entre plenárias, salas de experiência e apresentações de casos finalistas do Prêmio Destaque Gestão de Pessoas.

As plenárias deram o tom do congresso. Na abertura, o antropólogo Michel Alcoforado dividiu o palco com o Instituto Baccarelli. Em seguida, o primeiro dia terminou com Melanie Martinelli e Rafinha Acústico.

Já o segundo dia começou com o TOP 5 do CBTD reunido no palco: Edney “InterNey” Souza, Flora Alves, Ines Cozzo, Mathias Emke, Monica Almeida e Branca Barão. Posteriormente, uma plenária de CEOs, conduzida por Izabella Camargo, reuniu Maria Paula, Luiz Buozzi, Sergio Sampaio e Glaucimar Peticov para discutir o que o erro ensina. Por fim, Murilo Gun encerrou o congresso.

Igor Cozzo, CEO da ABTD, resumiu a aposta da edição: a transformação real acontece quando as pessoas aprendem juntas. Afinal, em um período marcado pelo excesso de informação, o que faz diferença é a construção de comunidades vivas, baseadas em troca, confiança, repertório e ação.

No entanto, o que atravessou os palcos foi algo mais difícil de colocar em uma grade: a convergência.

A leitura que se repetiu em plenárias e salas de experiência foi a de que tecnologia de ponta e foco no humano deixaram de ser caminhos concorrentes. Pelo contrário, quanto mais o processo se automatiza, mais o diferencial se desloca para competências que a máquina não cobre.

Ao mesmo tempo, o modelo de aprendizagem distribuído de cima para baixo, de maneira igual para todos, perdeu eficiência. Em outras palavras, o conhecimento que muda comportamentos é aquele que circula em rede e se desenvolve em um ambiente de confiança.

Há, ainda, um detalhe que só aparece para quem lê a grade inteira. A palavra “orquestração” surgiu em títulos de organizações que não haviam combinado nada entre si.

Por exemplo, uma palestra clássica chamada SINFONIA tratou de orquestrar inteligências para escalar o impacto do T&D. Outra sessão abordou a orquestração do aprendizado. Da mesma forma, uma terceira atividade discutiu como transformar a empresa em inteligência coletiva.

Portanto, quando concorrentes começam a usar o mesmo verbo sem alinhamento prévio, esse verbo deixa de ser apenas um jargão e se transforma em diagnóstico.

Daí a relevância do tema. Comunidade não entrou como uma pauta simpática. Em vez disso, entrou como diagnóstico.

O estande da Bravend virou laboratório

Laboratorio de inteligencia ampliada

Para compreender os desafios de T&D no CBTD 2026, a Bravend transformou seu estande em um laboratório de aprendizagem ampliada.

Consequentemente, a natureza do estande mudou. Em vez de uma vitrine, criamos um estudo de campo. O percurso incluía cerca de vinte minutos de experiência guiada, cinco estações, dez especialistas em aprendizagem e três dias seguidos de operação.

Além disso, quem entrava não assistia passivamente a uma apresentação. Pelo contrário, respondia, participava e construía o diagnóstico.

O resultado, portanto, não foi apenas um mailing. Foi uma base composta por:

  • 553 votos sobre o maior desafio de T&D;
  • 161 diagnósticos conduzidos individualmente;
  • 149 empresas dos setores de saúde, finanças, varejo, indústria pesada, aviação, farmacêutico e energia.

Os principais desafios de T&D no CBTD 2026, segundo os participantes

Entre uma lista extensa de desafios possíveis, quatro respostas concentraram 58,4% das escolhas:

Desafio apontado Percentual
Formar gestores que sustentam o aprendizado 17,2%
Engajamento 15,6%
Comprovar ROI 13,7%
Mensurar impacto 11,9%

Em geral, o mercado trata esses quatro pontos como problemas separados. Cada um, portanto, costuma ter seu próprio fornecedor, projeto e orçamento.

No entanto, a leitura sustentada pelos dados é outra: esses desafios são quatro sintomas da mesma falha. O que se aprende não encontra uma estrutura que sustente sua aplicação. Como consequência, não gera os dados que comprovam o resultado e, por sua vez, não produz o retorno necessário para fortalecer o engajamento.

Em resumo, trata-se de uma falha de conexão.

Além disso, surgiu um achado que contraria o barulho do próprio evento: a inteligência artificial apareceu em nono lugar, com 4,2% dos votos.

Embora a IA estivesse presente em praticamente todos os estandes, os profissionais que sentem as dores de T&D no dia a dia não a colocaram entre suas principais prioridades. Isso não significa que ela seja irrelevante. Pelo contrário, indica que a demanda ainda é latente.

Afinal, ninguém pede aquilo que ainda não sabe nomear.

Quatro palestras e três territórios de atuação

Enquanto o estande media os desafios de T&D no CBTD 2026, o palco colocava os conceitos em prática.

Ao todo, a Bravend levou quatro sessões ao CBTD. Todas estavam ancoradas na mesma arquitetura: o conceito IAx, ou Inteligência Ampliada e Multiplicada. Além disso, as apresentações foram distribuídas em três territórios de atuação.

Vendas e inteligência comercial

No dia 8, Marcel Molina apresentou “Orquestrador de Inteligência Comercial: a nova lógica de vendas”. Posteriormente, no dia 10, Robson Peres conduziu a sessão “A era da venda aumentada com IAx aplicada”.

Embora tivessem abordagens próprias, as duas apresentações trataram da mesma passagem: a transição da venda tradicional para a venda orquestrada.

Muitas empresas investiram em IA. No entanto, poucas conseguiram transformar esse investimento em performance, principalmente porque confundiram velocidade com inteligência.

Nesse sentido, a IA substitui quem apenas executa. Por outro lado, não substitui quem aprendeu a pensar conectando diferentes inteligências.

Liderança

No dia 9, Carlos Cruz apresentou “Líderes Orquestradores: uma nova realidade na gestão de pessoas”.

A tese da sessão apresentou o líder como arquiteto e orquestrador de inteligências. Ou seja, alguém que desenha ambientes nos quais pessoas, conhecimento organizacional, IA e colaboração operam de maneira integrada.

Assim, em vez de acumular sobrecarga operacional, esse líder cria condições para que diferentes formas de inteligência produzam resultados em conjunto.

Educação corporativa

Ainda no dia 9, Juliana Giordano e Marcelo Mantovani apresentaram “Educação Corporativa em busca de sentido: redefinindo a aprendizagem com a IAx”.

Durante a sessão, os palestrantes defenderam que a aprendizagem significativa depende da construção de sentido. Portanto, quanto mais tecnologia existe, mais decisiva se torna a capacidade humana de gerar contexto, significado e conexão.

Os territórios eram diferentes. Ainda assim, todos foram atravessados pelo mesmo fio condutor: a IA isolada não entrega resultado. O diferencial, portanto, está na integração.

O que é a IAx e de onde surgiu o conceito

Neste ponto, cabe registrar algo que a Bravend vinha deixando implícito.

O conceito IAx tem autoria. Ele foi formulado por Carlos Cruz, Allynson Lymer e Nicolas Domingos, precursores e coautores da Inteligência Ampliada e Multiplicada.

A divisão de trabalho entre os três é conhecida internamente e, por isso, também deve ser declarada externamente: a visão veio de Carlos, a arquitetura foi conduzida por Allynson e a engenharia ficou sob responsabilidade de Nicolas.

O percurso começou como uma ideia. Mais precisamente, nasceu de uma inquietação sobre por que o discurso dominante a respeito da IA nas organizações passava ao largo de algo essencial que ninguém conseguia nomear.

Em seguida, essa inquietação se transformou em tese sob a liderança de Allynson Lymer, que conduziu a pesquisa, o aprofundamento e a aplicação interna.

Agora, o CBTD 2026 marca a passagem seguinte. Com 553 votos, 161 diagnósticos e uma régua de maturidade testada em campo, a tese começa a operar como um conceito validado. Atualmente, esse conceito está em processo de formalização metodológica.

A distinção é importante. Por isso, preferimos tratá-la de forma explícita.

Um conceito possui definição, componentes, régua e evidências de que o problema nomeado é real. Um método, por sua vez, exige uma sequência nomeada de passos, papéis e artefatos, além de critérios de entrada e saída e uma documentação capaz de transferir o conhecimento sem a presença dos autores.

Nesse momento, a IAx é a primeira coisa. Ao mesmo tempo, está trabalhando para se tornar a segunda. No entanto, não será chamada de método antes da hora.

Para quem prefere uma formulação objetiva, a lógica é esta:

IAx = (IH · IO · IA) ^ IC

A operação utiliza a multiplicação porque qualquer fator zerado anula o produto inteiro. Além disso, a Inteligência Conectiva entra como expoente porque não representa apenas mais um item da lista. Na verdade, ela define a ordem de grandeza do que as outras três inteligências produzem juntas.

IAx, INTELIGENCIA AMPLIADA e MULTIPLICADA, apresentada no CBTD pela Bravend
IAx, INTELIGENCIA AMPLIADA e MULTIPLICADA, apresentada no CBTD pela Bravend

A conversa que continua fora do estande

Um congresso sobre comunidade cobra coerência de quem fala sobre comunidade. Por isso, a Bravend chegou ao Pro Magno acompanhada.

Com a Play Gamification, parceira de longa data e responsável pelo Fala T&D, mantivemos uma ativação cruzada durante os três dias do evento.

Além disso, Andressa Pinheiro, a Drê, e João Zaggia, o Jhonny, conduziram a sala de experiência sobre MicroGameLearning. Já no encerramento, abriram os bastidores da cultura de acolhimento dos Amarelinhos ao lado de Alexandre Slivnik.

Como próximo passo dessa construção, o Fala T&D passa a contar com um formato inovador, tornando-se o primeiro podcast gamificado de T&D.

Há, ainda, um registro que não é apenas protocolar.

O CBTD é uma realização da ABTD, e Igor Cozzo ancorou a edição em mais de um sentido. Além de atuar como CEO da associação, participou como palestrante e levou ao congresso uma leitura das tendências da ATD 2026 aplicadas ao T&D brasileiro.

Da mesma forma, conduziu o Fórum CBTD Gestão Pública. Nesse cenário, a curadoria que ele preside é o que permite a um evento com 18 palcos simultâneos manter um único fio condutor.

O que fica

O CBTD 2026 escolheu comunidade como tema. A Bravend, por sua vez, chegou ao evento com um conceito sobre conexão construído ao longo de vinte anos de operação.

Essa convergência não foi planejada. Justamente por isso, ela importa.

De um lado, o mercado nomeou a dor nos palcos. De outro, nós a medimos no chão do congresso. Embora tenham seguido caminhos independentes, ambos chegaram à mesma conclusão.

Os desafios de T&D no CBTD 2026 revelam que formação de gestores, engajamento, comprovação de ROI e mensuração de impacto não devem ser tratados de maneira isolada.

Pelo contrário, os dados indicam que essas questões são manifestações de uma mesma falha: a dificuldade de conectar aprendizagem, aplicação e resultados.

Portanto, o que muda a partir daqui não é necessariamente a lista de prioridades de T&D. O que muda é a ordem em que essas prioridades devem ser resolvidas.

Quem tenta atacar formação de gestores, engajamento, ROI e impacto como quatro projetos separados corre o risco de gastar quatro vezes para corrigir uma única falha.

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