Como criar uma arquitetura de aprendizagem: do desafio do negócio à aplicação na prática

Criar uma arquitetura de aprendizagem não começa pela escolha de um curso, de uma plataforma ou de um formato. Começa pela compreensão do que as pessoas precisam aprender e de qual necessidade do negócio queremos responder.
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Criar uma arquitetura de aprendizagem não começa pela escolha de um curso, de uma plataforma ou de um formato. Começa pela compreensão do que as pessoas precisam aprender e de qual necessidade do negócio queremos responder.

Na minha forma de pensar uma arquitetura de aprendizagem, existem pelo menos quatro movimentos fundamentais: sensibilizar, instruir, fixar e sustentar. Primeiro, a pessoa precisa perceber por que aquele aprendizado importa. Depois, precisa ter contato com o conhecimento. Por fim, precisa encontrar formas de praticar, confrontar e aplicar aquilo que aprendeu.

Dessa forma, é essa combinação que transforma uma ação de treinamento em uma experiência de aprendizagem mais conectada à realidade do trabalho.

O que é uma arquitetura de aprendizagem?

Em resumo, arquitetura de aprendizagem é o raciocínio que organiza uma experiência educacional.

Ela está presente quando desenhamos uma aula, uma ação pontual, uma trilha, uma formação ou um método completo de desenvolvimento.

Para mim, essa arquitetura precisa considerar quatro etapas principais:


1. Sensibilizar

Antes de ensinar alguma coisa, é preciso ajudar a pessoa a entender por que ela precisa daquele aprendizado.

Qual é o problema? O que precisa mudar? Por que aquele conhecimento ou competência importa para sua realidade?

Ou seja, sem essa sensibilização existe o risco de apresentar um conteúdo para alguém que ainda não reconheceu sua relevância.


2.Instruir ou expor

Depois vem o contato com aquilo que a pessoa ainda precisa aprender.

Por exemplo, pode acontecer por meio de uma aula, diálogo, conteúdo, demonstração ou outra experiência de exposição ao conhecimento.

É o momento de desenvolver aquilo que identificamos como lacuna.


3.Fixar

Aprender não pode terminar na exposição ao conteúdo.

Por isso, é preciso criar uma situação em que a pessoa utilize, questione ou confronte aquilo que acabou de aprender.

Isso pode acontecer por meio de um exercício, uma atividade, uma pergunta, uma simulação ou uma aplicação prática.

Por isso, uma boa arquitetura não pensa apenas em como apresentar o conteúdo, mas também em o que acontecerá depois que ele for apresentado.

4. Sustentar

A aprendizagem não termina quando a experiência de treinamento acaba.

Depois de avaliar o que foi aprendido, é preciso criar condições para que esse conhecimento continue presente na rotina e seja incorporado ao comportamento das pessoas.

Sustentar pode envolver acompanhamento da liderança, reforços periódicos, práticas recorrentes, feedbacks, Playbooks, conteúdos de apoio ou novas oportunidades de aplicação no trabalho.

O objetivo é reduzir a distância entre aprender uma vez e transformar o aprendizado em uma prática consistente.

Por isso, uma arquitetura de aprendizagem completa não deve pensar apenas no que acontece antes e durante o treinamento, mas também em como o aprendizado será sustentado depois dele.

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Por que uma arquitetura de aprendizagem não começa pelo curso?

Porque, antes de decidir a solução, precisamos entender a necessidade.

Um dos pontos de partida pode ser o TNA — Training Needs Analysis, ou o levantamento de necessidades de treinamento, também tratado como LNT.

Assim, o objetivo é identificar as lacunas existentes e as competências que queremos desenvolver.

Só depois disso faz sentido perguntar:

Como vamos sensibilizar essas pessoas?

Que conhecimento precisamos apresentar?

Como vamos criar oportunidades para que esse conhecimento seja praticado e fixado?

E como vamos sustentar esse aprendizado para que ele continue sendo aplicado na rotina?

Quando começamos diretamente pelo curso, corremos o risco de escolher a solução antes de compreender o problema que ela precisa resolver.

Como construir uma arquitetura de aprendizagem na prática?

O primeiro passo é conectar o desenho da aprendizagem à necessidade identificada.

A partir daí, podemos pensar na sequência:

necessidade → sensibilização → instrução → fixação → avaliação → sustentação.

Isso também muda a forma como podemos utilizar inteligência artificial na educação corporativa.

No entanto, a IA não precisa aparecer apenas como uma ferramenta para produzir conteúdo. Ela pode fazer parte da própria experiência de aprendizagem.

Na Bravend, por exemplo, já utilizamos inteligência artificial em diferentes momentos das nossas soluções.

Um desses exemplos é a Liv, um agente desenvolvido para criar situações de role play digital.

A pessoa pode interagir com a ferramenta e vivenciar uma situação relacionada ao aprendizado. Dessa forma, utilizamos a IA como uma possibilidade de criar prática e apoiar a etapa de fixação, sem assumir que a tecnologia, por si só, garante o aprendizado.

O ponto central é outro: a tecnologia precisa ocupar um papel dentro da arquitetura.

Primeiro entendemos o que queremos desenvolver. Depois decidimos onde a inteligência artificial pode contribuir para essa experiência.

Como conectar aprendizagem e realidade da operação?

Uma das formas de fazer essa conexão é diminuir a distância entre aprender e fazer.

Na Bravend, temos também o Workroom, uma experiência voltada para equipes comerciais em que parte do desenvolvimento acontece enquanto as pessoas trabalham sobre situações reais da própria operação.

Os participantes podem levar suas próprias carteiras de clientes e trabalhar sobre elas com orientação de um mentor.

Nesse contexto, a aprendizagem não acontece separada do trabalho.

A pessoa aprende enquanto executa.

Esse tipo de experiência ajuda a ilustrar um princípio importante de arquitetura de aprendizagem: nem toda fixação precisa acontecer depois do treinamento. Ela pode fazer parte da própria experiência.

Como saber se a arquitetura de aprendizagem está funcionando?

Essa é uma das perguntas mais importantes, principalmente em um cenário em que as áreas de treinamento são cada vez mais cobradas por resultados.

Uma prática que utilizamos é comparar avaliações realizadas antes e depois da experiência.

Primeiro levantamos a necessidade. Depois podemos aplicar um assessment ou pré-teste para compreender o nível inicial das pessoas em determinada competência ou tema.

A arquitetura é então executada:

sensibilização → instrução → fixação → sustentar.

Ao final, um pós-teste ajuda a observar se houve evolução naquele conhecimento no curto prazo.

Mas isso não significa, sozinho, que o aprendizado foi sustentado.

Para entender o que aconteceu no longo prazo, é necessário voltar para a operação e observar se aquele conhecimento passou a aparecer no comportamento e na prática das pessoas.

Essa distinção é importante.

Pré e pós-teste podem ajudar a observar aprendizagem no curto prazo. Sustentação exige acompanhamento posterior da aplicação.

Onde a inteligência artificial entra nessa arquitetura?

A pergunta não deveria ser apenas:

“Como podemos usar IA neste treinamento?”

Uma pergunta mais útil é:

“Em qual momento desta arquitetura a IA pode melhorar a experiência de aprendizagem?”

Ela pode contribuir para sensibilizar, explicar, praticar, simular, questionar ou apoiar outras partes da experiência.

Mas a decisão vem depois da arquitetura.

A tecnologia é um recurso dentro do processo, não o ponto de partida.

Perguntas frequentes sobre arquitetura de aprendizagem

O que é arquitetura de aprendizagem?

É a estrutura utilizada para organizar como uma experiência de aprendizagem será construída, desde a necessidade que precisa ser atendida até as formas de apresentação, prática, aplicação e avaliação do conhecimento.

Quais são as etapas de uma arquitetura de aprendizagem?

Na abordagem apresentada neste artigo, trabalhamos com quatro movimentos fundamentais: sensibilizar, instruir, fixar e sutentar. Antes deles, porém, é necessário compreender a necessidade de aprendizagem.

Como usar inteligência artificial em uma arquitetura de aprendizagem?

Podemos inserir a IA em diferentes momentos da experiência, inclusive em atividades de exposição, prática e simulação. O importante é definir primeiro o objetivo educacional e depois decidir qual papel a tecnologia terá.

Como medir se uma arquitetura de aprendizagem funcionou?

Pré e pós-testes podem ajudar a observar evolução no curto prazo. Para avaliar sustentação, é necessário acompanhar posteriormente se o aprendizado chegou à prática e ao comportamento na operação.

Antes de escolher o próximo curso, desenhe a arquitetura

Criar uma arquitetura de aprendizagem exige começar pelo problema, e não pela solução.

Entender a necessidade, sensibilizar as pessoas, apresentar o conhecimento, criar situações para fixação e acompanhar o que acontece depois permite construir experiências mais coerentes com aquilo que queremos desenvolver.

E o mesmo princípio vale para a inteligência artificial.

Antes de perguntar qual IA usar, desenhe o processo de aprendizagem e identifique onde a tecnologia realmente pode contribuir.

Esse é o próximo passo.

 

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