A desmotivação na empresa deixou de ser um tema subjetivo para se tornar, cada vez mais, um problema econômico, organizacional e de saúde mental.
No Brasil, por exemplo, ela já custa R$ 77 bilhões por ano, o equivalente a 0,66% do PIB, segundo o índice nacional de engajamento Engaja S/A 2025, realizado pela Flash em parceria com a FGV EAESP.
Em outras palavras, quando a desmotivação se instala, não é apenas o clima que piora. Uma equipe desmotivada impacta diretamente produtividade, turnover, absenteísmo e a capacidade das empresas de sustentar resultados no médio e longo prazo.
Por isso, entender como reconhecer e agir diante da desmotivação na empresa deixou de ser uma pauta exclusiva de RH para se tornar uma responsabilidade direta da liderança.
Desmotivação na empresa em números: o retrato atual das equipes desmotivadas no Brasil
Ao analisar os dados mais recentes do Engaja S/A, o cenário é claro e preocupante:
- Apenas 39% dos profissionais brasileiros se declaram engajados
- Enquanto isso, 61% estão desmotivados, o pior índice desde 2023
- Além disso, 60% pensaram em pedir demissão com frequência ao longo de 2025
- O turnover responde pela maior parte do custo da desmotivação na empresa, com R$ 70,7 bilhões em perdas anuais
- Já o presenteísmo, comum em equipes desmotivadas, gera mais R$ 6,3 bilhões em prejuízos
O impacto financeiro, por sua vez, varia conforme o nível hierárquico. Em média, a desmotivação na empresa custa R$ 72,4 mil por executivo, R$ 8,9 mil por gerente e R$ 561 por colaborador operacional ao ano.
Portanto, manter uma equipe desmotivada não é apenas um problema de gestão de pessoas, é uma decisão estratégica de alto custo.
O que a ciência organizacional já comprovou sobre desmotivação na empresa
Embora ainda seja tratada como algo subjetivo em muitas organizações, a ciência organizacional já demonstrou que desmotivação na empresa e desempenho caminham em direções opostas.
Estudos recorrentes da Gallup, referência global em pesquisas sobre engajamento, indicam que equipes mais engajadas apresentam:
- Maior produtividade
- Menor absenteísmo
- Redução da rotatividade
- Melhor qualidade nas entregas
Ou seja, quando uma empresa convive com equipes desmotivadas, ela abre mão, de forma consciente ou não, de performance mensurável.
Engajamento, portanto, não é soft skill. É vantagem competitiva real.
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Como identificar uma equipe desmotivada no dia a dia da empresa

Na prática, a desmotivação na empresa raramente surge de forma abrupta. Pelo contrário, ela aparece por meio de sinais comportamentais progressivos, que costumam ser ignorados até se tornarem críticos.
Entre os sinais mais comuns de uma equipe desmotivada, estão:
- Queda recorrente de produtividade ou perda de qualidade nas entregas
- Desinteresse por reuniões, metas ou feedbacks
- Conflitos frequentes ou isolamento dentro do time
- Atrasos, faltas e aumento do absenteísmo
- Cumprimento mecânico de tarefas, sem iniciativa ou senso de dono
É importante destacar que episódios pontuais não caracterizam, por si só, a desmotivação na empresa. No entanto, quando esses comportamentos se repetem, o problema costuma estar ligado à forma como o trabalho é organizado e liderado, e não às pessoas individualmente.
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Lideranças exaustas e desmotivação na empresa: uma relação direta
Um dos achados mais relevantes do Engaja S/A 2025 é a queda expressiva do engajamento entre líderes, um fator decisivo para o surgimento de equipes desmotivadas.
Os dados mostram que:
- O engajamento entre executivos caiu de 72% em 2024 para 65% em 2025
- Na média gerência, o índice chegou a apenas 49%
- 78% das lideranças relatam ansiedade
- 74% afirmam sentir fadiga com frequência
Quando a liderança está esgotada, a desmotivação deixa de ser individual e passa a ser estrutural. Nesse cenário, a empresa não tem apenas colaboradores desmotivados, mas sim um sistema que produz desmotivação.
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Equipe desmotivada e saúde mental: o impacto na Geração Z
Além disso, os dados revelam uma forte correlação entre desmotivação na empresa e adoecimento mental, especialmente entre os profissionais mais jovens.
Entre a Geração Z:
- 25% relatam ansiedade diária
- 23% enfrentam insônia frequente
- 22% sentem fadiga constante
Ambientes com metas inalcançáveis, baixa autonomia e pouca previsibilidade aceleram esse processo. Como consequência, a equipe desmotivada passa a operar no limite emocional, comprometendo resultados e relações.
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O que realmente reduz a desmotivação na empresa e aumenta o engajamento
Em 2025, a dimensão Boas Práticas de Gestão superou “Confiança na Liderança” como principal fator de engajamento no Brasil. Isso mostra que, hoje, as pessoas valorizam menos discursos e mais coerência no cotidiano da empresa.
Entre os fatores mais valorizados estão:
- Processos claros e previsíveis
- Feedbacks frequentes e consistentes
- Respeito ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional
- Autonomia para decidir como executar o trabalho
Além disso, práticas como trabalho remoto ou híbrido, day off no aniversário e benefícios flexíveis aparecem fortemente associadas à redução da desmotivação na empresa.
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Como sair do ciclo de equipe desmotivada: 5 pilares de gestão eficaz
1. Reconhecimento contínuo
Antes de tudo, a ausência de reconhecimento é um dos principais gatilhos da desmotivação na empresa. Valorizar entregas e evolução profissional fortalece pertencimento.
2. Metas que façam sentido
Além de claras, as metas precisam ser alcançáveis e conectadas a um propósito. Sem isso, a equipe desmotivada apenas “cumpre tabela”.
3. Desenvolvimento como estratégia
Treinamentos e aprendizagem contínua mostram que a empresa aposta nas pessoas, e não apenas cobra resultados.
4. Escuta ativa com consequência
Ouvir sem agir aprofunda a desmotivação. Escutar exige disposição real para mudar processos e decisões.
5. Flexibilidade como modelo de gestão
Por fim, flexibilidade não é benefício: é resposta à realidade. Empresas mais flexíveis reduzem o desgaste e engajam mais.
Desmotivação na empresa não se resolve com discurso
Em síntese, lidar com desmotivação na empresa exige liderança preparada, práticas consistentes e cultura organizacional coerente. Não se trata de motivar artificialmente, mas de criar condições reais para que as pessoas consigam entregar o seu melhor.
Para RHs, líderes e profissionais de T&D, a mensagem é clara: 👉 engajamento não é um programa isolado, é uma escolha diária de gestão.


